Deixamos Cadiz ao entardecer, a cidade desfazendo-se atrás das iluminações pulverizadas pelo poente. Quando a noite desceu, brilhou o farol de Trafalgar mais do que o fosco da lua. Depois o farol de Ceuta. Gibraltar surgiria então a bombordo. Entrefechava os olhos num esforço de ver melhor suas luzes distantes, mas só conseguia o efeito ótico de seus raios refratarem-se caóticos. Os passageiros conversavam ao redor.
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Pela manhã desembarcamos. Uma luz serena e ampla espiritualizava as coisas, dando-lhes um aspecto de Geografia e de livros de Humboldt. A diaphaneidade das águas permitia ver o fundo da baía coberto d’um musgo fino e d’ervas que se curvavam e trepidavam sob a lenta corrente, como os antigos animais sob as carícias dos Profetas.
Subi o olhar e, mirando-o o mais além possível, a cena e o ambiente suscitaram-me as seguintes notas tomadas na hora:
O Estreito em cujas margens Deus fez dois promontórios invisíveis, de onde, ora num ora noutro, observa desde sempre, risonho e sentado, os pés a balançar no ar, a passagem de guerras e comércios: Admirável Cu da História, única cloaca dúctil nos dois sentidos!