O gato da casa trouxe pulgas para nós. E uma delas, pretinha e gordinha, surgiu sobre a página do livro que eu tentava ler. Bem em “repinicados”, onde minha unha aterrissou na tentativa fracassada de dar conta da pretinha. Neste momento ela, sorridente, já estava em “bosque”. Desta vez fui com mais calma, queria emboscá-la como uma leopardo faria com uma gazela, mas a minha unha não é tão sorrateira como um e a pretinha é mais alerta do que uma. Lépida, saltou do livro para perder-se da minha vista no infinito do quarto.
Como vocês sabem, livros são objetos supervalorizados, na verdade, não servem lá para muita coisa. Em geral são chatos como este que continuei lendo depois do episódio da pulga. Até que, finalmente, fui outra vez interrompido por um habitante dos escalões inferiores da litosfera. Uma formiga. Fiquei então observando a beleza irregular do seu traçado sobre a página. “Maçada”, “glóbulos”, “cinzento”, “pele”, “túnel”, “troçava”, algo por aí. Mas lembro claramente que “Bexiguentos” foi por onde ela saiu do livro.
O resto da noite foi perdido na empresa de encontrar, testando diversas combinações possíveis, a sequencia das palavras da pulga e da formiga que exprimisse algum oráculo.