Não deveria escrever isso porque, bom, deixa para lá. Pior do que escrever o que vou escrever é iniciar o post de maneira escusatória. No excuses, disse o existencialista.
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Primeiro, a frase fedorenta: “No futuro todos terão meia dúzia de posteridade.”
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Não tenho vergonha de dizer que daqui a cinquenta anos sete pessoas lerão, estudarão e discutirão Marcelo Rota.
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Quem fica constrangido de assumir a esperança da leitura póstuma, deveria fazer vasectomia ou ligar as trompas, conforme o caso.
Não é uma pretensão, é só uma esperança sensata. Por isso faço backup. Não sei até quando os wunders vão pagar a mensalidade do servidor.
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“Fazer filhos é fazer backup.”, outra frase boa e nojentinha.
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O mundo cada vez mais aos caquinhos, qualquer um pode virar uma relíquia para dois ou três (estou ficando mais modesto na quantificação dos meus pósteros leitores). E vão trocar emails sobre este post e outros.
“Rota Society”, “Rota Studies”, etc.
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Toda vez que converso com Adrian Leverkuhn sinto o riso de fantasmas, hoje almas sentadas em poltronas reclináveis, senhas com Número de Avogadro nas mãos, aguardando a sua vez.
O malévolo loga todas as suas comunicações via msn.
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Escrever para os que ainda não nasceram é muito diferente de escrever pelos que já se foram. Falo muito de Proust e penso sobre o que seu fantasma pensaria sobre o que penso dele. Uma fantasia infantil querer que Proust me ache um lindinho.
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No futuro todos teremos meia dúzia de posteridade.
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A EXPRESSÃO está barateada. Todos nós, viadinhos, escrevendo blogs, publicando vídeos caseiros, fotinhas, borrifando letrinhas em caixas de comentários, inventando perfis bacaninhas no orkut e [preguiça de continuar a enumeração]
Tão barateada e difundida a EXPRESSÃO que, pausa para uma afirmação de peso antes dos dois pontos: O GÊNIO MORREU, seu cadáver perdido em algum ponto do que vou chamar de O Labirinto de Gutemberg.
A pessoa morrerá lendo liberinos e outros ruídos antes de chegar ao Elton Mesquita e ao Soares Silva. Os poucos que chegarem não serão ouvidos pelos outros, que estarão ocupados com o ruído. Elton ficará com seus sete pósteros, SS também por aí. Liberino talvez fique com oito só porque escreveu mais.
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Você que não citei, não fique triste: também terá seus sete.