QUEM É DORIS MONTEIRO?

Uma musga que só descobri agora. Você, entretanto, espertão, há muito já tinha conhecimento dela.

Interessou-me porque parece ser sobre “mulheres que deixam finalizar na cara” e achei isso muito pitoresco, gráfico e, o mais importante, totalmente projetivo da minha mente onde tudo é enviesado e nada é direto. Além disso, tudo na vida, pelo menos na mental (que talvez seja toda a vida que há), é associação de idéias. Sempre que duas, de início muito distantes, são aproximadas, e aproximadas sabe-se lá como, pois é sempre por um golpe misterioso da inteligência, Deus dá um gemido. Talvez em reação à soberba do artifício de quem alterou Sua obra. Mas nesse caso Ele nem vai ligar: já estavam pertinho desde sempre.

Enfim, sei lá, ouça aí.

doris

“A MELHOR DESCRIÇÃO LITERÁRIA DE PEITINHOS” COMO O POST DA RETOMADA

Vamos ver se consigo voltar a postar com alguma regularidade. Só não sei por onde começar. Tenho blogueio, como já comentei e todos sabem. Vou citar então A Melhor Descrição Literária de Peitinhos:

Shinji made no answer and a surprised look came over his face. He had caught sight of a black streak that ran across the front of her red sweater.

Hatsue followed his gaze and saw the dirty smudge, just in the spot where she had been leaning her breast against the concrete parapet. Bending her head, she started slapping her breast with her open hands. Beneath her sweater, which all but seemed to be concealing some firm supports, two gently swelling mounds were set to trembling ever so slightly by the brisk brushing of her hands.

Shinji stared in wonder. Struck by her hands, the breasts seemed more like two small, playful animals. The boy was deeply stirred by the resilient softness of their movement.

(From “The Sound of Waves” by Yukio Mishima – translated from the Japanese by Meredith Weatherby)

AS MIDINETTES DO RIO SUL

A elas recorro para aplacar meu

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palavra merecedora de uma linha exclusiva, mas tímida como uma lacuna. Mas então: saio de casa e, poucos passos depois, já estou no shopping Rio Sul, carregando o meu ar indolente, a tristeza no fundo das minhas pupilas. Logo aparece a primeira midinette, vestidinho cor-de-rosa que, com uma autoridade policial, coloca-se diante de mim e desfere o golpe que explode no meu rosto. Em seguida, já formaram uma fila maior do que a do caixa-eletrônico de onde as observo e, uma após outra, até aquela com pele de magnólia

o que é estranho, pois estamos no verão do Rio de Janeiro,

projeta o punho, onde resplandece uma pulseirinha com o seu nome gravado, contra o meu nariz. Uma variedade torvelinhante de midinettes, axilas raspadas, perfume, pernas, incontáveis seios, todos aos pares, todos com mamilos no centro, todas me estapeando.

O suficiente para que eu retorne para casa feliz.

ERLERGEVKV

Lejos quedaron los tiempos en que un amante como Napoleón podía escribirle a Josefina: “Estaré allí en tres días, por favor no te laves…..”. Para las odorófobas sociedades contemporáneas los efluvios estimulantes de la vida amorosa ya no provienen del cuerpo sino de los laboratorios de las empresas multinacionales de cosméticos. Durante el siglo XX una de las esferas más reveladoras del proceso de civilización fue la obsesión por suprimir los olores corporales asociados a la animalidad. En esta empresa el desodorante desempeñó un rol fundamental: fabricado por primera vez a fines del siglo pasado en los Estados Unidos en base a una mezcla de sulfato de potasio y aluminio, tras la segunda guerra mundial su uso se general)zó prácticamente en todos los países occidentales hasta abarcar una gama de variedades que parece no tener fin: desodorantes para las axilas, para los pies, para la higiene íntima, para el aliento, para desinfectar y aromatizar el aire, para la ropa, para el cabello, para borrar los efluvios del cigarrillo y del animal doméstico.

Imagino as pioneiras na arte das axilas imberbes. E os homens que primeiro viram esta nova nudez. Minha ignorância histórica deste fenômeno é total. Mas será que foi algum nobre do século XIX? Imagine o seu encantamento diante da Primeira Depilada. É para lamber?, perguntou. Mais tarde contaria aos amigos. E a nova técnica difundiu-se com rapidez por todo o mundo civilizado.

***

A Lucélia Santos, uma mulher do medievo. Além daquelas axilas, acredita em duendes.

CRUZ E SOUZA É ASSIM, NAO É?

Vivian
viu a velha vulva da vil viúva
(que era ruiva)
e vomitou viscosas vísceras,
alvas volúpias venais.

Eis o gênio e a graça do capitalismo: dizer que tem a quem não tem.

A minha biblioteca foi feita em Copacabana, princesinha dos sebos. Saudades de Copacabana, canta João Gilberto.

Em Florianópolis ninguém lê. Sou vizinho de uma Academia, aqui todos são vizinhos de uma. É só corpo corpo corpo. Em Copacabana o Slacker tinha os sebos e tinha Ipanema. Ainda hoje me lembro da marca na perna de uma midinette. Ela estava em um restaurante e, quando levantou, ficou com a marquinha da cadeira um pouco abaixo do final da mini-saia. Elton estava comigo. “Olha lá, Elton, a marquinha, a marquinha!” Desde aquele dia sei que marquinhas de cadeira são melhores que marquinhas de biquini.

Em Florianópolis o Slacker só tem Ipanema.

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MORREREI SEM ORGIA ÀS MARGENS DO VOLGA

Primeiro tenho que contar que Mojo morreu e, no submundo, foi recebido por -

ô.

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Internet is for pr0n. Nenhum computador, nem de desembargador (principalmente), resiste a uma busca por XXX e outras kws. Nenhum.

“Você”, digo como um sargento ao destacar da fila um soldado para flexões, “você, dê-me o seu agadê para ser periciado!”

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Sou um ingênuo, um ingênuo e, mesmo se num engenho tivesse nascido e sido criado e lá passado toda a minha vida, não teria aprendido nada observando os animais. E veja que até Felicité, alma simples, un coeur simple, talvez o mais simples da história da literatura foi uma observadora atenta. Felicité, que bebia água dos charcos, assimilou a sabedoria sexual do gado.

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Eu sou aluno da Net. Um amigo meu, geekizão, borrifa a estátua de Onã com ascii. Eu não.

Não vou linkar para vocês o que aprendi com os russos. Um grupo de estudantes da Universidade Estadual de Novgorod, três de cada sexo, elas, ruivas, ruivas em flor.

“Vou morrer sem uma orgia às margens do Volga”, repito isso todos os dias duas vezes por dia e, assim, cada vez mais, sossego a minha fúria contra a finitude radical do ser.

MOTEL, GOOGLE. MOTEL MOTEL, ENTENDEU?

O paradoxo do motel é que a sua discrição é anunciada com neon, luminosos, uma barroquice infernal. A mensagem superliminar é ENTREM AQUI, FODAM QUEM E COMO QUISEREM E NINGUÉM FICARÁ SABENDO.

Mas aí a amiga da mulher de Pedro vê o marido da amiga entrando (ou saindo, tanto faz) do (no) MOTEL e conta para ela. A pessoa pode até sair (ou entrar) discretamente do MOTEL, mas o MOTEL não é discreto. Se alguém vê você saindo (ou entrando) ela sabe de onde (para onde) você está saindo entrando saindo entrando saindo entrando.

Igrejas também não são discretas. Cruzes furando o céu e um decorador com preferência pelo dourado. Mas ninguém sai (ou entra) de óculos escuros da (na) Igreja, suspirando culpa e uma sensação de ter sido espiado. A pessoa sai valente e, expiada, dá uma esmola ao ceguinho como se estivesse em um reality show.

O confessionarium, entretanto, é discreto. Ao contrário do MOTEL não tem espelho no teto para neguinho se espiar.

NO AVIÃO

Os dois passageiros sentados ao meu lado começaram a tricotar a conversa mais estranha que já tive a oportunidade de entreouvir. Falavam de um lugar, de uma cidadezinha, onde ninguém trabalhava. Ao menos foi isso o que entendi. Seus habitantes, gente de todas as idades, ficavam o dia inteiro, todos os dias, sem fazer nada a não ser o que lhes interessasse. Conversavam uns com os outros, davam festas, bebiam, riam, divertiam-se, iam a praia, comiam e dormiam. Aí o outro comentou que o experimento do ‘fulano’ (não consegui entender direito o nome) só havia fracassado até agora por causa do problema da ereção. O problema era que os homens do lugar tinham ereções involuntárias. Normal, pensei, afinal esta é uma das partes do corpo sobre a qual se tem menos controle. É o membro autônomo. Não é como o dedo médio que a gente encolhe e estende quando a gente quer e que jamais levanta espontaneamente. Sei lá, mas na tal cidade, o objetivo do seu mentor e fundador (acho que um milionário que selecionou umas mil pessoas para irem passar o resto de suas vidas neste lugar paradisíaco, tudo às suas custas) só seria concretizado caso conseguisse eliminar da cidade, não as ereções em geral, mas apenas as invóluntárias.

Depois que o procedimento de decolagem terminou, as turbinas ficaram mais silenciosas e pude ouvi-los melhor. Eis um resumo do que consegui entender:

Segundo santo Agostinho, existem três libidos: a dos sentidos, a do poder e a do conhecimento. Estas são as três pulsões egoístas das quais o homem fica dependente depois do pecado original. A finalidade do milionário é a de provar a possibilidade de recuperarmos mundanamente o paraíso perdido lá atrás por Adão. Quando puro e perfeito, recém-saído das mãos do Senhor, Adão não estava sob o jugo de nenhuma das três horríveis libidos. Não estar sob o seu domínio é o que define o homem inocente, nosso ancestral originário. E sofrê-las é então a marca do homem corrupto, da prole adâmica, nós.

O mentor do projeto “Paraíso Reconquistado”, mistura de parque temático soteriológico e reality show bíblico, tem em vista mostrar que não é preciso esperar pela vida eterna, que ele pode ser recuperado hic et nunc. Ou melhor, poderia. Já que há um grave problema com a libido dos sentidos. Homens e mulheres do Éden Artificial vêm se comportando muito bem com respeito às outras duas, porém continuam tão eróticos quanto o mais corrupto dos filhos de Adão. A corrupção evidencia-se pela turgidez inesperada que ocorre nos habitantes do sexo masculino. O que preocupa é que, segundo as descrições do paraíso natural, o Adão pre-lapsário, por estar fora do alcance da libido sentiendi (a dos sentidos), tinha controle absoluto sobre o próprio pênis. Controle que só foi perdido quando foi perdido o paraíso. Assim, enquanto existirem ereções involuntárias em ‘Éden II’, este continuará sendo um arremedo de paraíso, e a tese do seu criador seguirá sem qualquer crédito.

UMA AXILA EXPOSTA É O EMBLEMA DA

Talvez fique ainda mais tempo sem postar. Talvez o intervalo de tempo entre os posts seja encolhido. Não sei, tudo vai depender.

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Montaigne tinha uma medalha, de um lado o emblema de uma balança, de outro a inscrição “Que sais-je?”. “Porra nenhuma” não seria uma resposta porque já seria alguma sapiência. Se tivesse um motto desses de cético uranista seria “tudo depende”.

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Dizem que Deus não depende e é incondicionado. Outros discordam: “Deus é o cafetão da nossa credulidade”. Mas eu não digo nada: “que sais-je?”. E nem fui eu quem disse isso.

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“Deus para mim é a axila exposta da Sharapova, o braço erguido, punho cerrado.” Também não fui. Por isso está entre aspas. Digo apenas que

uma axila exposta é o emblema da buceta.