Exercitatio philosophica de morte voluntaria philosophorum et bonorum virorum, etiam judaeorum et christianorum

Jean Robeck, Swede, born in 1672, after having made his last arrangements and left to one of his friends the sum required to print a manuscript, disappeared, going to bury himself in an unknown retreat, then nine years later boarded a boat at Bremen, and threw himself in the Weser, in 1739. Professor Franck, following the wish of Robeck, published his work, which was nothing more than an apology for suicide, but added notes, refuting it: ‘Joh. Robeck Exercitatio philosophica de morte voluntaria philosophorum et bonorum virorum, etiam judaeorum et christianorum‘; 1736.” [The note does not explain why the publication date precedes his death.]

Acrescento que Jean Robeck foi um missionário jesuíta. E mais do que isso não sei sobre ele. A não ser que  não está presente na Wikipedia e que foi salvo do esquecimento por  este breve relato do barão Friedrich Melchior von Grimm, este sim verbete da Wikipedia.

O barão escreveu sobre tudo e todos na sua correspondência, a princípio sigilosa e só publicada postumamente, em 16 volumes.  Um bávaro morando em Paris, seus destinatários eram sobretudo membros da nobreza do norte da Europa. Escrevia a fim de informá-los sobre o que acontecia na capital onde tudo acontecia. Era como uma newsletter ou um fanzine por email, que contava entre seus assinantes a rainha Catarina II da Rússia e Stanislas Poniatowski, soberano da Polônia, além de vários príncipes germânicos.

Mas por que estou escrevendo sobre o barão? Na verdade quem me interessa é Jean Rodeck, que não interessou a ninguém fora o barão, e mesmo assim só durante os instantes de algumas cinco linhas de uma obra de 16 volumes, mas que bastou para atrair a minha atenção — horizontal, inquieta, dispersa nas superficialidades de um mundo sobre-instruído. Onde está o livro de Jean Robeck, onde encontro a sua apologia ao suicídio? Ok, não é nem Robeck que me interessa, tampouco o seu livro. É, primeiro, a graça e o pitoresco de, depois de tê-lo escrito, convencido pelo próprios argumentos, realizar o corolário prático destes.  Morreu, imagino, julgando-se mártir da própria coerência. Depois, a ironia final de, post-mortem e tarde demais para contestar, ser refutado em notas de rodapé ao seu texto acrescidas pelo editor, o amigo a quem confiou a publicação da obra de sua vida. É como se tivesse morrido duas vezes: primeiro pelas próprias mãos e depois pelas do amigo.

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