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Ah, se escrevo violência violência os anúncios do google pipocam seguros de vida. Violência. Morte. Sangue. Sexo.

(Vamos ver o que acontece)

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Enquanto isso na câmara de deputados, Zé Dirceu, usando toga, é esfaqueado por outros de toga. Uns cinco ou seis. Cada um dá uma estocada. A toga do Dirceu logo vai acumulando furos vermelhos. A última quem dá é o deputado Brutus, não Brutus não, seria óbvio demais. O deputado Professor Luizinho, caso ele ainda não tenha sido cassado, dá o último golpe, fincando, como uma bandeira no solo lunar, um facão na pança do Dirceu. Este faz uma cara de “Pô, Luizinho”. Marco Antônio entra mas já é tarde demais.

Da próxima vez vou enfiar a Cleópatra, ou na Cléo Pires, na História.

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Ah, sim, não tenho mais nada a dizer.

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1. O melhor lance da rodada ocorreu na partida entre Náutico e Grêmio pela Segunda Divisão. Torcedor com camisa gremista invade o gramado e corre como uma partícula subatômica furiosa. Horda de poliça na perseguição. Quando o torcedor estava próximo da linha de fundo, perto da trave, SURGE.

De trás das placas de publicidade um gordo deslumbrante e disforme. Ele intercepta o torcedor em fuga com uma, não com uma joelhada não foi bem isso. O gordo projetou-se meio de banda contra a velocidade do gremista. Fato é que a cena foi de uma plasticidade, de uma poesia. O gremista voando sem idéia do que lhe havia atingido e caindo junto a trave. Quase gol. Os programas esportivos até ontem não se cansavam de repetir a cena ao mesmo tempo em que condenavam a violência, e repetiam extáticos, e condenavam a violência, a pseudo-joelhada, o torcedor voando, e condenavam a violência.

CITOU PROUST AO VER A GOSTOSA

“Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação”, disse o magricela de óculos, citando Proust, ao amigo. E olharam para trás para ver a bunda da loura gostosa que seguia em direção à praia abraçada ao homem sem imaginação, surfista e maconheiro.

ENUMERAÇÃO DE UM SÓ

1. Um engenheiro civil que escreve um livro com este título e que aparece nos google ads deste blog.

Ok, de dois:

2. Um lógico medíocre, Petrus Ramus, morto no Massacre de la Saint-Barthélemy. A horda católica invadiu seu gabinete, esfaquearam-no e depois seu corpo foi defenestrado do quarto andar. Não era nem um huguenote convicto, mas o fim trágico transformou-o em mártir na Inglaterra. E nos próximos séculos estudantes de Oxford seriam obrigados a estudar pelos seus livros. Virou personagem de uma peça de Marlowe.

Mensagem: Como se morre, e não como se vive, é o melhor marketing para a posteridade.

O MUNDO É MEU CAMPO VISUAL

Primeiro, um maço

ou “carteira”, alguns usam esta palavra

… um maço de cigarro com o verso virado para cima. Mostra dois cadáveres: o de um camundongo e o de uma barata. Alguém deveria ter avisado às criaturas que não se deve fumar. E, baratas, logo as baratas, que, segundo o mito, resistiriam aos efeitos da radiação de uma explosão nuclear.

O segundo e nem os próximos não descrevo pois são de caráter extremamente pessoal.

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MANDA BALA

Aê, macacada, não se posta mais aqui.

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O HOMEM QUE SE TORNOU POLLOCK

O homem de idéias, aquele da life of the mind, um dia deixou de tê-las. Lembrou de Montaigne: a melhor maneira de clarificar nossas idéias é pondo-as por escrito. “Certamente devo ter uma que deseje esclarecer, dar-lhe forma literária”, pensou. Porém não escreveu, pobre ágrafo que se tornou. Isso porque pensou não como frase, palavras enfeixadas gramaticalmente, nem mesmo como palavras. É mesmo de se duvidar que tenha pensado alguma coisa, pois eram apenas abstrações de um cérebro inquieto. Espremeu a ponta em brasa do cigarro no cinzeiro. Olhou para as cinzas sobre o aço do cinzeiro. Espalhadas, incontáveis, partes negras, outras brancas, algumas ainda retendo vestígios da sua forma cilíndrica original, quando ainda eram parte em brasa do cigarro, as cinzas, pensou, “emblema do estado da minha mente”. Pensou isso daquela forma vaga que já sabemos: não escreveu. Seu cérebro tornou-se um quadro de Pollock. Um exame de Imagem de Ressonância Magnética Funcional revelaria isso. Haveria uma exposição no MoMa. Os visitantes balançariam a cabeça positivamente diante das pinturas. “Veja essa textura”, diria uma mulher para o seu namorado. O autor, e ao mesmo tempo matéria, incógnito, observaria tudo sem entender nada.

LA JEUNESSE FAISANDÉ

Xerxes mandou que chicoteassem o mar que não cooperava com a navegação de sua frota rumo à guerra. Os jovens, ah, os jovens, os jovens precisam de rock, quebrar guitarras, pular do palco, falar palavrões. Dêem rock aos jovens e ficarão mansos. Os jovens de coquetel molotov de Paris, arremessando-os contra os carros, reclamam emprego. Incendeiam carros como Xerxes descia o sarrafo no pélago. Emprego é só um pretexto. Dêem-lhes shows de rock e ficarão quietinhos.

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