Uma musga que só descobri agora. Você, entretanto, espertão, há muito já tinha conhecimento dela.
Interessou-me porque parece ser sobre “mulheres que deixam finalizar na cara” e achei isso muito pitoresco, gráfico e, o mais importante, totalmente projetivo da minha mente onde tudo é enviesado e nada é direto. Além disso, tudo na vida, pelo menos na mental (que talvez seja toda a vida que há), é associação de idéias. Sempre que duas, de início muito distantes, são aproximadas, e aproximadas sabe-se lá como, pois é sempre por um golpe misterioso da inteligência, Deus dá um gemido. Talvez em reação à soberba do artifício de quem alterou Sua obra. Mas nesse caso Ele nem vai ligar: já estavam pertinho desde sempre.
(que às vezes parece um mosquito atacando Pearl Harbor, outras uma mulher gritando durante o ataque, enquanto formiguinhas marcham indiferentes sobre o alpendre, e, finalmente, uma pulga gordinha de sangue, soprano, e cantando ora triste ora eufórica diante de tudo o que está acontecendo no mundo)
Não tenho dúvidas de que morri. Por alguma distração ontológica, um anjo dos escalões inferiores da monumental burocracia dos céus esqueceu de encaminhar os papéis com o meu nome para o Departamento de Desencarnação. Agora tenho que levar esta existência de quimera repugnante, O Óbito Vivo. Esquecido no pré-limbo, tenho que ficar vendo vídeos-engraçados-do-youtube até algum cancerzinho chegar, trôpego e esbaforido, pedindo desculpas pelo atraso e lamentando o equívoco. “Bom, pelo menos você tinha internet aqui”, ele diz com um sorriso sem graça.
Há aquela frase, “beauty is a form of genius”. Há ainda uma outra, que acabei de inventar, aspas. O Diabo se expressa através de pleonasmos e “beleza com talento” é a expressão menos singela e mais maliciosa do demoníaco.
… do Mussorgsky. De onde vem boa parte dos clichês musicais dos filmes de horror. Deixa eu escrever de novo o nome dele: _____________.
O retrato é do Ilya Repin, o pintor russo do meu coração. Confio plenamente na fidelidade com que captou o olhar, meio louco e quase morto, do nosso compositor em um sanatório. “A gente pode ver a Rússia nesses olhos”, alguém mais tarde comentaria.
Hoje acordei com akrasia. E dormi de novo. Voltei a acordar, novamente com akrasia, que é só uma palavra que escolhi para não usar “deprimido”.
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O que faço agora? Vou ler Cioran. Se não adiantar, lerei Nietzsche. E seguirei assim, exaustor de bibliotecas, até que só me reste a Bíblia.
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Matar-se sem nunca ter lido a Bíblia, matar-se depois de tê-la lido… Se o universo quer ter alguma esperança de sentido (como se pudéssemos atribuir-lhe intenções) deve haver alguma diferença entre as duas possibilidades.
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To be and not to be <—— that’s the answer!
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Fazer de um drogadilho um projeto de vida: reescrever o Corão como um livro de Cioran.
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O amadurecimento é feito de tédios. <—- Falei isso para um amigo e ele me disse que eu era “muito francês”. Vá entender…